Terça-feira, 23 de Agosto de 2011

Dialéctica da luta de classes

A burguesia é a classe que nega discursivamente a existência das classes sociais tendo como interesse objectivo manter a (sua) sociedade de classes.

Portanto, a dialéctica da burguesia na sua actuação quotidiana resume-se a uma negação da sua afirmação presente.

O proletariado é a classe que afirma a existência real das classes tendo como interesse último e objectivo superar a(s) sociedade(s) de classes.

Portanto, a dialéctica do proletariado na sua acção quotidiana resume-se a uma afirmação pela sua negação futura.



Segunda-feira, 22 de Agosto de 2011

NATO prestes a conquistar a Líbia, com um banho de sangue

Após 7 mil bombardeamentos aéreos, do fornecimento de equipamento militar de todo o tipo e de financiamento aos grupos rebeldes, a NATO pode estar prestes a conquistar um território e os seus poços de petróleo e a liquidar fisicamente todos os que se opuseram à agressão, incluindo o próprio Kadhafi.

O que parece certo é que ele não fugirá e bater-se-á até ao fim, a fazer fé em anteriores declarações.

Os depósitos soberanos noutros países irão ser abertos, após uma investidura à pressa de um qualquer governo para pagar...a consolidação desta situação e a perseguição aos alvos que a NATO definirá.

Para o chamado Tribunal Penal Internacional (TPI) terá já sido levado o filho de Kadhafi que tem sido o porta-voz da Líbia nas últimas semanas.

Não partilhando de simpatias com Kadhafi, valorizo a sua determinação anti-imperialista, que teve compromissos há uns anos atrás, e sei bem que coisa é essa do TPI  - braço "jurídico" armado das estratégias de genocídio dos EIUA e NATO.

Os EUA e as França já se declararam disponíveis (hipocrisia....) para constituirem um protectorado, certamente para sanearem políticamente a população de "indesejáveis" e para controarem os poços do petróledo.

Prossegue assim, a realização dos objectivos estratégicos definidos há dez/ vinte anos no Pentágono.

Face ao risco de uma crise financeira que atingiria os EUA, estes e a NATO deveriam conquistar as rotas do petróleo do Mediterrâneo às fronteiras da Rússia.

É uma guerra muito vasta que dia-a-dia alarga cada vez mais o seu teatro: Líbano, Palestina, Iraque, Afeganistão, Líbia, Síria e algum mudar de moscas na Tunísia, no Egipto e Marrocos, com ditaduras frágeis.
 






Domingo, 21 de Agosto de 2011

Reflexões lentas - num domingo de manhã

Retiradas (as reflexões) de "dias de agora", acabadas de escrever e que me vi impelido (?!) a publicar aqui:
«(...)

Há uma tese a borbulhar sobre a espécie humana, que quer saltar “cá para fora” e não encontra, neste momento…, melhor saída que aqui.

Então é assim.

A espécie humana dividir-se-ia, segundo quase consensual rotulagem, em duas sub-espécies.
Haveria a sub-espécie dos bons, que seria uma “espécie” de “supra-espécie”, que assim nascem ou que a tal – a bons – ascendem, a pulso-apenas-seu, com muito trabalho, mérito ou outros atributos, ou a pulso-ajudado-por-outros já lá nascidos ou lá chegados por sorte, dado o lado para tinham virado o rabinho ao nascer, por méritos e atributos que, entre-si, os bons valorizam e premeiam.

Depois – depois… mas noutra escala nas "espécies" –, haveria os maus, os que são assim e pronto, pertencem a essa infra-espécie e dela não podem ou (o que é bem pior) não querem sair.
São maus e pronto, não há nada a fazer senão combatê-los e impedir que façam o mal que os (pre)enche e que apenas dificultam o bem-estar (melhor: o bem-bom-ser) dos bons.
É essa infra-espécie de gente, mal-nascida e/ou mal-crescida, que pratica todas as malfeitorias.
Eles fazem revoluções, descolonizações, parece que vivem para perturbar a boa vida dos bons.

Será justo dizer, à laia de entre parenteses, que nem sempre os maus assim se comportam, que passam muito tempo calminhos, amansados pelas concessões que os bons vão fazendo, com essa intenção para que não haja agitação social que os incomode.
No entanto, mesmo assim, e mesmo quando muitos dos bons não se eximem à caridadezinha que os ajudará a ser melhores ainda (eventualmente) numa vida eterna reservada aos melhores dos bons, há sempre uns maus que são os piores dos maus, do piorio.
Estão sempre insatisfeitos, rezingando, conspirando, agitando, a preparar ou a realizar revoluções e descolonizações.

Eles são uns assassinos (mesmo quando conseguem os seus fitos sem matar ninguém), eles invadem países (mesmo quando só lá entram se chamados pelos maus "de dentro" para impedir que os bons recuperem, com ajuda dos bons "de fora", o que teriam perdido de bem-bom), eles prendem os bons e os que ao seu serviço estão para os derrubar (até abrem campos de reeducação e, para casos mais graves de bondade, asilos psiquiátricos), eles levantam muros (o que são verdadeiros símbolos da sua maldade intrínseca).

Eles estão às ordens de Moscovo (quando havia), ou do Corão (quando convém), ou de outras etiquetas que oportunamente se lhes colam, e têm estirpes muito resistentes (por isso, as mais perigosas) como a estirpe dos comunistas.
Porque estes, os comunistas, são os mais maus que denunciam – e, fanaticamente, explicam porquê – que os bons matam que se fartam (mesmo, e muito!, crianças, gente quando os alvos são “só” militares), que invadem e ocupam países (mesmo quando ninguém "de dentro" os chama, a não ser alguns raros bons e, sobretudo, as riquezas do solo, do sub-solo e plataformas marítimo-petrolíferas ou outras), eles prendem e têm campos de concentração em territórios ocupados, e fazem de aviões e aeroportos meios de transporte, como se gado fosse, de piores dos maus ou de alguns que suspeitam que piores dos maus possam ser), eles levantam muros em muitos lados (na América do Norte, entre os Estados Unidos e o México, em Chipre, no Sahara, a separar territórios ocupados por Marrocos do povo que os considera seus, entre a Palestina e territórios ocupados da Palestina, sei lá se em mais lugares)… embora muro, muro, haja (ou houve… aleluia!), penas um, o dos maus, o de Berlim.
Há que acrescentar, para que não fiquem dúvidas, que tudo o que de aparentemente mau a "super-espécie" dos bons faz é, evidentemente, por bem, enquanto tudo o que a "infra-espécie" dos maus faz de efectivamente bom é, evidentemente, por mal.
Isto a propósito de (...) como poderia ter sido da reforma agrária, que tantos bons latifundários (NÃO!) assassinou, e que "obrigou" a matar alguns maus.

Isto a propósito de terrorismo que é “arma” que os maus (falo dos comunistas) não utilizam, mas que os bons USAm e abUSAm, nalguns casos com o requinte de o fazerem por forma que a história seja contada como se alguns actos terroristas tivessem sido da autoria dos maus.

(...)»

Sábado, 20 de Agosto de 2011

A ferro e fogo

O primeiro-ministro inglês não tem dúvidas. As revoltas nas ruas das cidades inglesas são apenas «criminalidade». Resultam dum «colapso moral» e de: «Irresponsabilidade. Egoísmo. Comportamentos que ignoram as consequências dos próprios actos. […] Recompensas sem esforço. Crime sem castigo. Direitos sem responsabilidades» (CNN, 15.8.11). Alguém deveria oferecer um espelho a David Cameron. A sua caracterização assenta que nem uma luva à criminosa, mentirosa e corrupta classe dirigente do seu país, que nos últimos anos enriqueceu de forma obscena através das falcatruas bolsistas e financeiras, da guerra, dos subsídios estatais, das isenções fiscais, das privatizações e pilhagem da riqueza pública, da mentira sistemática do império mediático de Rupert Murdoch. E que agora acha que cabe ao povo britânico pagar a factura dos seus desmandos.

São seguramente condenáveis as destruições de lojas e casas nas cidades inglesas. Mas quem elogiou a incomparavelmente mais grave destruição de Tripoli, Bagdade ou Belgrado? São condenáveis as violências sobre cidadãos inocentes nas ruas inglesas. Mas no dia 8 de Agosto aviões da NATO matavam 85 civis na aldeia de Majar, a 150 km de Tripoli: 33 crianças, 32 mulheres e 20 homens (Globe and Mail, 9.8.11). Violências de gangs são inaceitáveis. Mas quem transformou os gangs narcotraficantes e assassinos do UÇK, dos mudjahedines afegãos ou dos «rebeldes» de Bengasi em «governos», entregando-lhes cidades, territórios e redutos para os seus tráficos e crimes? E o que nos contam na comunicação social sobre os distúrbios será verdade? O Estado inglês tem um extensíssimo historial de violência e mentira. Foi assim nos anos da revolta na Irlanda do Norte (com casos escandalosos como os Birmingham Six ou os Guilford Four). É assim nos nossos dias. Desde 1998 morreram 333 pessoas sob detenção policial, sem que alguma vez um polícia tenha sido condenado (Guardian, 3.12.10). Em 2005 foi assassinado a sangue frio, após perseguição policial, o jovem brasileiro Jean Charles de Menezes, confundido com «um árabe». Na altura a polícia mentiu. No incidente que agora despoletou os distúrbios, depois de inicialmente a polícia ter dito que o jovem Duggan morrera numa troca de tiros com a polícia, a comissão de fiscalização da polícia veio confessar que apenas a polícia disparou (Guardian, 9.8.11). Testemunhas afirmam que Duggan foi assassinado a sangue frio, depois de imobilizado pela polícia. O chefe da Polícia Metropolitana de Londres demitiu-se há poucas semanas, após o escândalo que revelou um grau de podridão assinalável no triângulo imprensa-polícia-governo de Sua Majestade. Curiosamente, o dito trio aparece agora na contra-ofensiva política, distribuindo aos sectores mais pobres da sociedade inglesa sermões de moral e ameaças de duríssima repressão policial e social. O jornalista que despoletou o escândalo apareceu morto, tal como aconteceu com David Kelly, que em 2003 denunciou à imprensa as mentiras do governo Blair sobre a guerra no Iraque. Nada de suspeito, claro.

No Reino Unido como no resto do mundo capitalista, os anos da crise foram fartos para os senhores do dinheiro. Segundo a lista elaborada pelo Sunday Times, só no último ano os mais ricos viram as suas fortunas aumentar 20% (Telegraph, 7.5.11). A manterem-se as tendências actuais, o fosso nos rendimentos será, em 2030, apenas comparável ao que existia no tempo da Rainha Vitória (Guardian, 16.5.11). Lá como cá, os lucros privados são sustentados pelas dívidas públicas e por um ataque selvagem às condições de vida de quem trabalha. Para boa parte da juventude trabalhadora britânica, o sistema apenas oferece como saída combater (e morrer) nas guerras ou nos gangs. Ironicamente, nem mesmo uma carreira na polícia é agora possível, pois os cortes do governo conservador-liberal implicam que 34 mil postos de trabalho na polícia vão desaparecer nos próximos quatro anos (Guardian, 21.7.11).

A explosão inglesa é mais um sinal de que o sistema capitalista dos nossos dias está em profunda crise. Foi quase simbólico que os distúrbios nas ruas acompanhassem os distúrbios nas bolsas e nos mercados. A classe dirigente inglesa só fala em repressão e mão dura. O capitalismo já nada mais tem para oferecer senão miséria, guerra e violência.



Sexta-feira, 19 de Agosto de 2011

Assobiar para o Ar

ENTRE Janeiro e Maio deste ano, ALGUNS portugueses, por sinal os mais prósperos e endinheirados - e também os menos patriotas - continuaram a colocar os seus "pés-de-meia" a recato dos cobradores de impostos e de outros fenómenos do foro contributivo,  transferindo-os para os paraísos fiscais, também conhecidos por "offshores".

O Banco de Portugal apurou que os valores envolvidos nestas exportações de capitais rondarão os 1,32 mil milhões de euros, o que dá uma simpática média de 9 milhões de euros diários, representando um aumento de 700 por cento, relativamente a 2010.

Quanto ao Governo, mais preocupado em manter-se submisso e nas boas graças da troika, e insensível para com as dificuldades que está a criar aos OUTROS portugueses, continua a assobiar para o ar, deixando que os milhões lhe passem mesmo ao lado, ao mesmo tempo que vai imaginando novas formas de extorquir mais fundos aos contribuintes do costume, os tais OUTROS portugueses que continuam a viver - dizem os economistas aparentados com o sistema - acima das suas possibilidades.

Quinta-feira, 18 de Agosto de 2011

Hoje há Avante!

DESTAQUES:
CGTP-IN apela à indignação e resistência
Contra a liberalização dos despedimentos, sindicatos e comissões de trabalhadores entregaram, dia 12, na Assembleia da República, mais de dois mil pareceres apreciados e aprovados em reuniões e plenários por milhares de trabalhadores. A central apela à indignação e ao exercício do direito de resistência.
Casos graves na SN Seixal
Três acidentes de trabalho, em dois dias da mesma semana, vieram evidenciar os efeitos da retirada de direitos, da elevada precariedade e da limitação da liberdade na SN Seixal.
Revogação das taxas moderadoras
A necessidade imperiosa de revogar as taxas moderadoras volta à ordem do dia por iniciativa do PCP, que entregou na AR um projecto de lei nesse sentido, em nome do «respeito por aqueles que menos têm e mais precisam».

Solução é mais emprego
Uma semana depois da eclosão dos distúrbios em várias cidades da Grã-Bretanha, a população do bairro londrino de Tottenham saiu à rua para dizer ao governo que a solução não é mais polícia e cortes, mas empregos e educação

Crise humanitária na Líbia
A população civil líbia é a principal vítima do embargo e dos bombardeamentos da NATO contra o país, adverte o Comité Internacional da Cruz Vermelha, para quem os castigos impostos pela ONU são incompatíveis com o direito internacional.


Quarta-feira, 17 de Agosto de 2011

Quando David Cameron partia vitrinas

Numa cidade inglesa um bando de jovens parte uma vitrina, foge na noite e dirige-se a correr para o jardim botânico. A polícia segue-os, apanha alguns com seus telemóveis e põe-nos no calabouço.

O problema é que não se trata de um episódio ocorrido nestes dias. E que os jovens detidos não são desordeiros sub-proletários. Não, o episódio verificou-se há 24 anos em Oxford e os 10 jovens eram todos membros do Bullington Club, uma associação estudantil oxfordiana com 150 anos de idade, famosa pelas suas travessuras estudantis, suas bebedeiras e por considerar a vandalização de lojas e restaurantes como a melhor das distracções. Os problemas com donos de restaurantes, comerciantes e de denúncias à polícia são resolvidos com algumas indemnizações generosas vindas das gordas carteiras paternais. Algumas horas antes, os dez bravos jovens fizeram-se retratar nos degraus de uma grande escada, todos em uniforme do clube, roupa de recepção a 1000 libras esterlinas (1150 euros) cada uma. Dentre eles destaca-se um jovem David Cameron e um, também imberbe, Boris Johnson.

Acontece que hoje Cameron é o primeiro-ministro conservador e Johnson é presidente conservador da Grande Londres. E que tanto um como outro trovejam contra os vândalos que destroem as propriedades privadas. Tanto um como outro defendem a linha dura, a mão de ferro. Cameron quer recorrer ao exército e censurar as redes sociais; Johnson quer aumentar os efectivos da polícia. Sem sequer a menor compreensão por quem não faz outra coisa, no fundo, senão emular os seus gestos de outrora.

Mas, evidentemente, é característico da mentalidade de um filho do papá considerar que os outros não podem – e não devem – permitir-se aquilo que lhes foi permitido, a eles, por direito de nascimento e de extracção social.

Ler o texto completo de Marco D´Éramo no Resistir.info

Terça-feira, 16 de Agosto de 2011

O RECADO

Segundo o jornal i, «o multimilionário norte-americano Warren Buffett enviou um recado a Barack Obama».

Diz Buffett, num artigo publicado no New York Times, que «a partilha de sacrifícios pedidos à população é injusta para as classes mais pobres»

Por isso clama: «Parem de mimar os super-ricos».

(e explica que no último ano, enquanto ele pagou de impostos apenas 17, 4% do seu rendimento, «as taxas de impostos das 20 pessoas que trabalham no meu escritório, foram de entre 33% e 41%»).

É claro que Buffett sabe que a fortuna que tem foi conseguida através da exploração.

E sabe também que a actual crise do capitalismo, que assume aspectos de extrema gravidade, está a evidenciar de forma clara, as fragilidades do capitalismo.

E sabe, por isso, que para continuar a ser o que é - o homem mais rico do mundo - é preciso que o sistema capitalista funcione...

Porque, homem prevenido que é, sabe ainda que, como disse o economista Nouriel Roubini ao Wall Street Journal, «Marx estava certo quando disse que o capitalismo pode destruir-se a si próprio»...

Em todo o caso, o «recado» de Buffett a Obama merece ser registado... tanto mais quanto, por cá, continuamos a ouvir dizer todos os dias que «os sacrifícios são para todos»...

E não parece muito provável que um qualquer amorim ou belmiro envie idêntico «recado» ao Passos/Portas...

Segunda-feira, 15 de Agosto de 2011

"Marx tinha razão. A certa altura o Capitalismo pode destruir-se a si próprio", diz hoje em entrevista ao Wall Street Journal, Nouriel Roubini

"Os negócios não estão a dar nada.

De facto não estão a ajudar.

O risco actual tornou as empresas mais nervosas.

Há um valor em espera.

As empresas dizem que estão a fazer cortes por haver um excesso de capacidade e que não contratam trabalhadores por não existir uma suficiente procura final mas há aí um paradoxo, um Catch-22.

Se não se está a contratar trabalhadores, não existe suficiente rendimento de trabalho, nem a confiança bastante do consumidor, enfim uma insuficiente procura final.

De facto, nos últimos dois ou três anos tivemos uma redistribuição massiva do rendimento do trabalho para o capital, dos salários para os lucros, aumentou a desigualdade do rendimento e a tendência marginal para gastar numa casa é maior que a tendência marginal para uma empresa poupar .

As empresas têm maior tendência a poupar que as famílias.

Assim a redistribuição do rendimento e da riqueza torna a procura agregada desadequada ainda pior".

"Karl Marx tinha razão. Num determinado momento, o capitalismo pode destruir-se a si próprio.

Não se pode continuar a mudar o rendimento do trabalho para o capital, sem ter um excedente de capacidade e falta de procura agregada.

Foi isso que aconteceu.

Pensámos que os mercados estão a funcionar mas não estão.

O indivíduo pode ser racional.

A empresa para sobreviver e prosperar, pode fazer descer os custos de trabalho cada vez mais mas os custos de trabalho são rendimento e consumo de outros.

É por isso que estamos perante um processo auto-destrutivo."

António Abreu no Antreus




Domingo, 14 de Agosto de 2011

Eles roubam tudo...

Roubar é a sua profissão: eles roubam, roubam, roubam...

Roubam todos os dias e a todas as horas; roubam nos dias úteis e nos dias inúteis; roubam nos domingos, nos feriados e nos dias santos; roubam enquanto dormem e roubam quando estão acordados.

Eles roubam, encapotados, congelando salários e reformas, e roubam, sem máscara, subsídios de Natal a trabalhadores e reformados.

Eles roubam, à mão armada, o direito ao emprego aos jovens e roubam, a tiro, aos idosos, o direito à dignidade, condenando-os a reformas de miséria.

Eles roubam, em quadrilha, o direito ao pão a milhões e, sempre em quadrilha, concedem-lhes o direito à caridadezinha ultrajante e anti-humana.

Eles roubam direitos laborais e roubam direitos humanos fundamentais aos cidadãos.

Eles roubam serviços públicos essenciais, roubam o direito à saúde, à educação, à habitação – e roubam o direito à felicidade.

Eles roubam, roubam, roubam...

Eles roubam aos que trabalham e vivem do seu trabalho.

Eles roubam aos que já trabalharam e ganharam, com trabalho, o direito a uma velhice digna.

Eles roubam o emprego aos que querem trabalhar, pondo-lhes à frente espessos muros.

Eles roubam, roubam, roubam...

Eles roubam ao País a sua independência e, rastejantes, levam o roubo à boca dos grandes e poderosos da Europa e do mundo, aos quais lambem as mãos.

Eles roubam Abril – a democracia, a liberdade, a justiça social, a soberania nacional, a Constituição, o futuro – e semeiam sementes do passado que Abril venceu.

Eles roubam, roubam, roubam...

Roubar é a sua profissão.

E, quais robins dos bosques de patas para o ar, roubam aos pobres para dar aos ricos – e enchem, com o roubo, os cofres das grandes famílias, dos exploradores, dos vampiros parasitas.

E se alguém se engana com o seu ar sisudo e lhes franqueia as portas à chegada, eles roubam tudo e não deixam nada.

E poisam em toda a parte: poisam no governo e na presidência da República; poisam nas administrações das grandes empresas públicas e privadas; poisam nos bancos falidos fraudulentamente e nos bancos que, fraudulentamente, levam à falência as pequenas e médias empresas.

Poisam nos prédios, poisam nas calçadas...

A luta os vencerá.

 
RESISTIR POR UM MUNDO MELHOR